terça-feira, 21 de maio de 2013

Cada Macaco no seu Galho


Caros (as) Colegas

Parece que a ACSS e Ministério de Saúde não têm intenções de revogar a vergonhosa e inaceitavel circular normativa  n.º 19/2013/DPS, do dia 15 de Abril de 2013, relativa à "Uniformização dos Registos de Enfermagem em Cuidados de Saúde Primários". A APF e outras Associações já tomaram medidas (ver abaixo carta da presidente da APF),  mas é necessário criarmos mais pressão sobre estes organismos, com manifestações individuais de indignação e pedido de revogação desta circular, pois traduz clara usurpação de competências e põe em risco a saúde dos cidadãos.

Coloco abaixo a carta escrita por um colega nosso ao diretor da DGS e a resposta de um enfermeiro da DGS, que é quem controla efetivamente a mesma. Vejam a argumentação vergonhosa com base em regulamentos internos, de que os enfermeiros de reabilitação têm qualificação para fazer tudo o que é da competência dos fisioterapeutas, ter. ocupacionais, ter. fala. Temos que nos unir para por cobro é esta inqualificável desonestidade e falat de ética destes profissionais. Temos que arregaçar as mangas e fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para denunciar e travar esta situação inaceitável.
VAMOS À LUTA … SÃO OS NOSSOS DIREITOS E DIREITOS DOS CIDADÃO (nosso familiares, amigos e outros) QUE ESTÃO EM CAUSA!

Lembro alguns factos que podem eventualmente juntar aos vossos argumentos:
- um enfermeiro com especialidade em enfermagem de reabilitação não é um especialista em reabilitação. Ninguém se torna um especialista com uma formação de 1,5 anos, que aborda as temáticas da reabilitação de uma forma superficial. Logo, deixar que estes profissionais tomem decisões sobre o processo de reabilitação motora, da deglutição, fala, ocupacional e psicomotora é inaceitável e põe com fortissima probabilidade os doentes em risco e condiciona-lhes o seu potencial de reabilitação, comprometendo assim a possibilidade do retorno a uma vida mais funcional e com melhor qualidade de vida.
- Os fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, terapeutas da fala, são profissionais com licenciatura (4 anos) nas suas áreas, desenvolvendo competências específicas que lhes permitem autonomia profissional, e que na sua maioria desenvolvem ainda competências acrescidas em áreas de especialização, através de formação pós-graduada (mestrados, pós-graduações e outras formações de curta duração). Se estes profissionais só podem exercer prática clínica após terminar um ciclo de estudos de 240 ECTS, como é que é aceitável que outros profissionais como os enfermeiros com especialidade em enfermagem de reabilitação, com uma formação de 90 ECTS, e que no seu curso de enfermagem não têm qualquer formação específica na área da reabilitação, possam ter autonomia de intervenção na área da reabilitação?
- Se os responsáveis da Saúde e da Educação acham que é possivel que uns profissionais com uma formação de 90 ECTS podem substituir todos os outros, porque razão continuam a manter abertas escolas de fisioterapia, terapia ocupacional e terapia da fala? Não será preferível o estado acabar com estas profissões e criar uma nova – o super-enfermeiro reabilitador e com provavelmente mais 1 semestre de formação em medicina, poderiam substituir também os médicos de medicina geral e familiar – o super enfermeiro-médico e reabilitador!!!
- Não deixa de ser completamente caricato, imoral e desonesto, que profissionais de enfermagem usem o conhecimento e competências da área da reabilitação, desenvolvidas na sua totalidade pelos fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, terapeutas da fala, psicomotricionistas, médicos fisiatras e outros médicos, e depois de adquirirem algumas pela “rama” (1,5 anos de formação não pode dar mesmo para mais) se achem no direito e na competência de substituir estes profissionais na prática clínica. É caso para perguntar: como é que os enfermeiros com especialidade em enfermagem de reabilitação fariam este curso de especialização se não tivessem para estudar os livros e artigos publicados pelos fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, terapeutas da fala e médicos (fisiatras, pneumologistas, intensivistas, internistas, ortopedistas e outros)? Qual foi a técnica, método, procedimento que um enfermeiro produziu e acrescentou valor e contributo na área da reabilitação (digam-nos um … se conhecerem)?
- Os srs. enfermeiros especialistas em enfermagem de reabilitação só podem ter uma ou mais destas interpretações enviesadas da realidade: (1) consideram-se pessoas super-geniais, com capacidades supranormais, que lhes permitem adquirir competências de vários profissionais em 1,5 anos, que os mesmos demoram em cada uma delas 4 anos a adquirir; (2) os srs. enfermeiros consideram que os fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, terapeutas da fala são seres atrasados mental e cognitivamente (subnormais) que precisam de 4 anos para aprender aquilo que eles aprendem em 1,5 anos; (3) os srs. enfermeiros acham que a reabilitação é tão simples e tem tão pouca coisa para saber, que 1,5 anos bastam para terem as competências suficientes para assumir autonomamente o processo de reabilitação global de qualquer doente;
- Não deixa de ser caricato que quando os srs. enfermeiros com especialidade em enfermagem de reabilitação e os seus familiares diretos têm problemas que precisam de reabilitação recorram quase sempre aos fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e terapeutas da fala, e que os médicos que permitem que os enfermeiros assumam nos seus serviços autonomia de intervenção na reabilitação, não recorram aos serviços de um enfermeiro de “reabilitação” quando têm problemas que requerem reabilitação. Se os enfermeiros de “reabilitação” são competentes para tratar os cidadãos “comuns”/anónimos, porque razão não recorrem os médicos e os seus pares aos seus serviços? Será que para servir interesses corporativos o cidadão comum pode ser tratado com incompetência e os enfermeiros e médicos, não? Onde está a ética deste comportamento por parte destes profissionais?
- Será que faz algum sentido, face a esta prepotência, desonestidade e falta de ética e incapacidade para saberem o seu real contributo na área da reabilitação por parte dos enfermeiros, alguns fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e terapeutas da fala,  colaborarem na formação dos enfermeiros no seu curso de especialização em enfermagem de reabilitação nas escolas públicas e privadas e em outros cursos de curta duração (ligaduras funcIonais, bandas neuromusculares, eletroterapia,…)? Não será altura, até que os enfermeiros demonstrem honestidade, de pararmos de contribuir para que os enfermeiros até digam que têm competência porque foram formados por fisioterapeutas, ter. ocupacionais e ter. da fala?


VAMOS AGIR …É MAIS QUE  TEMPO DE PARARMOS DE ESPERAR QUE ALGUÉM RESOLVA O NOSSO PROBLEMA! CADA UM DE NÓS PODE DAR O SEU CONTRIBUTO!
UM PROBLEMA QUE PÕE EM CAUSA A NOSSA PROFISSÃO …É UM PROBLEMA DE CADA UM DE NÓS!

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